Novo mangá de Homura Kawamoto foca em superação e pancadaria
Homura Kawamoto, a mente por trás de Kakegurui, surpreende os fãs ao mergulhar em um novo universo com seu mais recente mangá, Kenka Oji-san – Namo Naki Chuunen, Tsuyo Sugiru. Longe dos jogos psicológicos e da estética excêntrica da escola Hyakkaou, a nova obra apresenta uma história crua, urbana e emocional sobre fracasso, redenção e paternidade.

O protagonista não é um gênio adolescente ou um herói estilizado, mas sim um homem de meia-idade que já perdeu tudo. E é justamente isso que torna a narrativa tão poderosa.
Uma guinada ousada na carreira do autor de Kakegurui
Conhecido mundialmente pelo estilo provocativo e intenso de Kakegurui, Homura Kawamoto decidiu se afastar do cenário escolar e das apostas para explorar um território mais realista e visceral. Em vez de adolescentes envoltos em jogos mentais, o autor agora aposta em um personagem que reflete as dores e cicatrizes da vida adulta.
Lançado no serviço digital Piccoma, da Kakao Japan, o novo mangá introduz Fuyuo Shigaraki, um homem comum, falido e socialmente esquecido, que se vê forçado a encarar novamente um passado deixado para trás. A proposta da nova obra vai muito além da pancadaria, ainda que as lutas clandestinas sejam um elemento central. É a humanidade por trás dos socos que dá força à história.
Homura Kawamoto mostra que não é refém do próprio sucesso e demonstra sua versatilidade como autor ao construir um protagonista que foge completamente do padrão dos mangás shounen ou seinen tradicionais. Fuyuo é a antítese dos heróis convencionais, e é exatamente isso que o torna cativante.

Homura Kawamoto usa a luta como metáfora para a sobrevivência
Fuyuo não volta a lutar por fama ou orgulho. Sua motivação nasce da necessidade de cuidar da filha e juntar dinheiro para ajudá-la em um momento difícil. A proposta para retornar aos ringues vem de forma inusitada, por meio de uma misteriosa estudante do ensino médio, e dá início a uma sequência de confrontos que são tanto físicos quanto emocionais.
Ele já foi um lutador profissional de MMA, e a experiência passada dá peso às batalhas que enfrenta agora. Cada golpe, cada queda e cada vitória carregam não apenas dor física, mas o peso de uma vida marcada por arrependimentos. A decisão de lutar novamente não é apenas prática, mas simbólica.
A violência das lutas clandestinas se entrelaça com a delicadeza dos sentimentos paternos, criando um equilíbrio raro no gênero. Enquanto enfrenta adversários no submundo do combate, Fuyuo também luta contra o estigma social, contra o abandono familiar e contra a culpa por não ter sido o pai que gostaria de ser.
Um protagonista imperfeito que representa muitos leitores
Ao escolher um homem de meia-idade como personagem principal, Homura Kawamoto rompe com o padrão do mercado de mangás e oferece uma nova perspectiva ao público. Fuyuo é falho, cansado e invisível aos olhos de uma sociedade que idolatra juventude e sucesso. Mas é também resiliente, honesto e disposto a fazer o impossível por quem ama.
Essa abordagem mais madura e emocional aproxima a obra de leitores que buscam histórias com mais profundidade. Temas como paternidade, fracasso e superação são tratados com sensibilidade, sem recorrer a clichês melodramáticos. O resultado é um retrato tocante da realidade de muitos homens que se veem obrigados a recomeçar mesmo depois de tantas derrotas.
Além disso, o mangá acerta ao tratar a violência com propósito. As cenas de luta são bem construídas, mas nunca gratuitas. Cada combate carrega um motivo emocional, reforçando a ideia de que a verdadeira batalha acontece dentro de cada personagem.
Um novo acerto de Homura Kawamoto com potencial para emocionar
Mesmo que se afaste completamente do clima estilizado e provocador de Kakegurui, Kenka Oji-san mantém a marca autoral de Homura Kawamoto ao explorar a psique de seus personagens. A diferença é que agora o foco não está no jogo, mas na vida real.
Fuyuo representa o lado invisível da sociedade japonesa, onde homens quebrados pela vida tentam reencontrar algum sentido. A força da obra está na maneira como o autor transforma esse “tiozão briguento” em um símbolo de resistência e humanidade.
Se o sucesso de um mangá pode ser medido pela sua capacidade de tocar o leitor, Kenka Oji-san tem tudo para se tornar um dos trabalhos mais marcantes de Kawamoto. Ele não precisa de reviravoltas exageradas ou personagens extravagantes. Basta uma boa história, bem contada, com um




